BENTO XVI
aos
estudantes católicos
“a verdadeira felicidade deve ser procurada em Deus”.
“uma boa escola católica,…, deveria ajudar os seus estudantes a tornar-se santos.”

“ Não se apresenta com frequência a um Papa — na verdade, nem sequer a qualquer outra pessoa — a oportunidade de falar contemporaneamente aos estudantes de todas as escolas católicas da Inglaterra, do país de Gales e da Escócia. E dado que agora disponho desta possibilidade, há algo que realmente faço questão de vos dizer. 
Tenho a esperança de que entre vós, que vos encontrais hoje aqui para me ouvir, haja alguns futuros santos do século XXI. 
O que Deus mais deseja para cada um de vós é que vos torneis santos. 
 
Ele ama-vos muito mais do que podeis imaginar, e deseja o máximo para vós. E para vós, o melhor que existe é crescer em santidade. 
 
Talvez alguns de vós nunca tenham pensado nisto antes.
 
Talvez alguns pensem que ser santos não lhes diz respeito.
 
Permiti-me explicar-vos o que eu quero dizer com isto. Quando somos jovens, costumamos pensar nas pessoas que amamos e admiramos, nas pessoas que gostaríamos de imitar. Poderia tratar-se de alguém que encontramos na nossa vida quotidiana e pelas quais temos grande estima. Ou então poderia ser uma pessoa famosa. Vivemos numa cultura da celebridade, e os jovens são muitas vezes encorajados a ter como modelo figuras do mundo do desporto ou do espectáculo. 
 
Gostaria de vos dirigir esta pergunta:
 
quais são as qualidades que vedes nos outros e que vós mesmos quereríeis possuir em maior medida? 
Que tipo de pessoa realmente gostaríeis de ser? 
 
Quando vos convido a tornar-vos santos, peço-vos que não vos contenteis com opções secundárias. Peço-vos que não busqueis uma finalidade limitada, ignorando todas as outras. 
 
Ter dinheiro torna possível ser generoso e fazer o bem no mundo, mas só isto não é suficiente para tornar a pessoa feliz. 
 
Ser grandemente dotado em algumas actividades ou profissões é algo positivo, mas jamais poderá satisfazer-nos, enquanto não apostarmos em algo ainda maior. Poderá tornar-nos famosos, mas não nos fará felizes. 
 
A felicidade é algo que todos nós desejamos, mas uma das grandes tragédias deste mundo é que muitos não a conseguem encontrar, porque a procuram nos lugares errados. 
 
A solução é muito simples: a verdadeira felicidade deve ser procurada em Deus. 
 
Temos necessidade da coragem de depositar as nossas esperanças mais profundas unicamente em Deus:
não no dinheiro,
numa carreira,
no sucesso mundano ou nos nossos relacionamentos com os outros, mas em Deus.
 
Só Ele pode satisfazer a necessidade mais profunda do nosso coração! 
 
Deus ama-nos com uma profundidade e intensidade que dificilmente podemos imaginar, e também nos convida a responder a este amor. Todos vós sabeis o que acontece quando vos encontrais com alguém interessante e atraente, como desejais ser amigos daquela pessoa. E vós esperais sempre que aquela pessoa também vos julgue interessantes e atraentes, e que deseje estreitar amizade convosco. 
 
Deus deseja a vossa amizade. 
 
E, quando entrais em amizade com Deus, tudo começa a mudar na vossa vida. Na medida em que O conheceis melhor, compreendeis que desejais reflectir na vossa vida algo da sua bondade infinita. 
 
Sois atraídos pela prática da virtude.
 
Começais a ver a avidez e o egoísmo, bem como todos os demais pecados, por aquilo que eles realmente são, tendências destruidoras e perigosas que causam um profundo sofrimento e um grande prejuízo, e assim procurais evitar cair vós mesmos nesta armadilha. 
 
Começais a sentir compaixão por aqueles que se encontram em dificuldade e desejais fazer algo para os ajudar.
 
Quereis ir ao encontro dos pobres e dos famintos, confortar os enfermos, ser bons e generosos. 
 
Quando estas realidades começarem a ser importantes para vós, já vos encontrareis plenamente encaminhados pela vereda da santidade.
 
Nas vossas escolas existe sempre um horizonte mais vasto, acima e além de cada uma das matérias do vosso estudo e das várias capacidades que vós ides adquirindo. 
Todo o trabalho que levais a cabo está inserido no contexto do crescimento na amizade com Deus, e é de tal amizade que flui todo aquele trabalho. Deste modo, aprendeis não só a ser bons estudantes, mas bons cidadãos e boas pessoas.
 
Na medida em que progredis no vosso percurso escolar, tendes que fazer escolhas a propósito das matérias do vosso estudo e começar a especializar-vos para aquilo que no futuro haveis de fazer na vida. 
 
Isto é correcto e oportuno. Porém, recordai que cada matéria que vós estudais está inserida num horizonte mais amplo. 

Nunca vos reduzais a um horizonte limitado. 
 
O mundo tem necessidade de bons cientistas, mas uma perspectiva científica tornar-se-á particularmente restrita, se ignorar as dimensões ética e religiosa da vida, do mesmo modo como se tornará angusta, se rejeitar a contribuição legítima da ciência para a nossa compreensão do mundo. 
Temos necessidade de bons historiadores, filósofos e economistas, mas se a percepção que eles oferecem a respeito da vida humana, no contexto do seu campo específico, estiver centrada numa perspectiva demasiado limitada, eles podem desviar-nos seriamente.
 
Uma boa escola oferece uma formação completa para toda a pessoa. E uma boa escola católica, acima e além disto, deveria ajudar os seus estudantes a tornar-se santos. 
 
Sei que existem muitos não-católicos que estudam nas escolas católicas na Grã-Bretanha, e desejo dirigir-me a todos eles com as minhas palavras hodiernas. Rezo a fim de que também vós vos sintais encorajados a pôr em prática as virtudes e a crescer no conhecimento e na amizade com Deus, juntamente com os vossos companheiros católicos.
 
Vós sois para eles a referência ao horizonte mais vasto que existe fora da escola, e indubitavelmente o respeito e a amizade pelos membros de outras tradições religiosas devem estar entre as virtudes que se aprendem numa escola católica. Formulo votos também para que desejeis compartilhar, com todas as pessoas que encontrais, os valores e os ensinamentos que recebestes através da formação cristã.”
 
ENCONTRO COM O MUNDO DA EDUCAÇÃO CATÓLICA
St. Mary’s University College de Twickenham 
Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010